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Sim, é natal.

  • Lucas Jasper.
  • 24 de dez. de 2015
  • 4 min de leitura

Fotografia: Lucas Jasper.


Feliz Natal. Sim, as pessoas sinceramente, ou não, vão desejar isso umas outras. Pessoalmente, ou impessoalmente. As empresas vão desejar isso a seus clientes, seja por filosofia de marca ou por estratégia de marketing mesmo. As pessoas vão se reunir, ou se afastar. Vão comer mais do que devem, ou simplesmente se dar o direito de comer quanto quiserem. Sim, vamos mandar mensagens em grupos digitais, ao invés de nos procurarmos pessoalmente, o que humanamente seria impossível como sempre foi. Algumas pessoas vão querer ver as outras, algumas não vão querer e ainda assim vão ver. Vai haver o que muitos chamam de “farsa do natal” e muitas outras vão mesmo abraçar o amigo, seu cônjugue, seus parentes distantes ou próximos, sem pensar em "farsa". Sim as pessoas que não se vêem o ano todo vão se encontrar como “não fazem o ano todo”. As pessoas vão sentir saudades dos que já se foram. Vão participar de amigos secretos onde a troca de presentes “nem sempre é justa”. Tem gente que vai comprar o que não pode, ou mais do que devem, ou comprar o que no fundo não precisam. E para muitos nada disso acontecerá. Sim, amanhã quando acordarmos ainda haverá fome e miséria no mundo. Sim, as guerras e tragédias (acidentais e/ou causadas pela raça humana) estarão lá, e talvez piores. A quem ame celebrar o natal, sem sequer saber o seu real significado, se é que ele existe, afinal a quem não goste e não queria. E há também quem acredite em outras coisas, e há quem nem saiba o que é.


Não, o personagem Papai Noel não “roubou a festa de aniversário de Jesus”. Não, o capitalismo não acabou com a essência da "festa". Não, a celebração de Natal não é um momento hipócrita. Não, a ceia não é um culto ao desperdício de comida. Não, as pessoas não são egoístas em comer enquanto existe alguém do lado de fora da janela que não teve ceia, ou que não ganhou presente. Não, o ato de presentear não é uma ode a ostentação. Comer não é gula. Se reunir não é falsidade.


Sim, amanhã nossos problemas estarão lá. E ninguém prometeu que não estariam. Eles estão aqui hoje. O Natal não trará o remédio de todos os males. Não trará a felicidade eterna. Não salvará ninguém no juízo final, não te fará ascender aos céus celebrando-o ou não. Não fará das crianças que acreditam em Papai Noel, adultos débeis amanhã, e nem adultos melhores aquelas que hoje não acreditam. O Natal não fará distinção entre aquele que deseja aos outros boas festas mesmo escrevendo um português ruim (ou qualquer outra língua), assim como aquele que não fala tão bem. Afinal o Natal não quer perfeição de ninguém, penso eu, que ele prefere o sentimento de alguém que mesmo falando ou escrevendo “mal” dedica um minuto do seu tempo para desejar aos outros algo bom, em detrimento de ficar julgando ou fazendo chacota dos "defeitos" alheios.


O Natal não revelará que aqueles que celebram-o como os falsos, assim como não fará melhor aquele “que sabe que tudo isso é uma grande ilusão”. O Natal não fará ninguém melhor nem pior, independente do que esta ou aquela pessoa faz nessa época do ano.


Sim, esse ano o Natal deve ser igual a todos os outros. O Natal se molda conforme a pessoa em questão. Pois sim, o Natal é o que nós somos. Ele acontece do jeito que nós fazemos com que ele aconteça. Ele é um extrato daquilo que somos durante todo o ano. Ele mostra um pouco do que somos, o que queremos ser, o que imaginamos que somos, e o que não queremos e talvez não percebamos que somos. O Natal é reflexo de nós. Exatamente o que somos. Afinal o Natal precisa de nós para existir, "nossa imagem e semelhança".


Somente por que o Natal é o que somos que ele é a medida de cada um. Por isso para as crianças o Natal é mágico. Ele é união para as famílias que se amam, e que mesmo por um breve momento esquece suas diferenças e comungam um momento. É momento de reflexão aos que buscam isso. É paz para os de paz. Caridade para os caridosos. Esperança aos esperançosos. Melancolia para os melancólicos. Mudança para os flexíveis. Tolerância aos tolerantes. Vigilia aos vigilantes. Festa aos festivos. E para os amantes, Amor.


O que eu espero que as pessoam façam no Natal? Exatamente o que elas fazem todos os dias, e se der e quiserem fazer mais. Faça. Coloque sua mesa, faça sua ceia, convide ou vá estar com quem quiser, dê presente, fique feliz em receber presentes, participe dos amigos secretos, coma o que quiser e o quanto quiser, mande suas mensagens, vá ver quem não vê sempre, veja quem você vê sempre, faça sua caridade se assim quiser. Enfim, seja o que você é no Natal, assim como faz todos os dias, e se conseguir acordar melhor amanhã, então já terá valido a pena. Caso não aconteça isso, então continue tentando.

O Natal é algo importante para muitos, e nada para muitos outros. O Natal é uma data no calendário, também não passa de vinte e quatro horas. Um rito de ontem, hoje e amanhã. Mas sim, Natal é mais uma representação do que somos por dentro e também por fora, mas sobretudo por dentro. Para mim Natal “são muitas coisas”, mas sobretudo, Amor. Feliz Natal.

 
 
 
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