O prazer de ir a estádios.
- Lucas Jasper
- 30 de nov. de 2015
- 3 min de leitura
Estádio Camp Nou, Barcelona.
Eu me lembro exatamente quando foi a primeira vez que fui a um estádio de futebol. Foi em Salvador, Bahia. O estádio era o Manoel Barradas, o Barradão. O jogo era o famoso e querido BA-VI. Como era de se esperar, o estádio estava cheio. Resultado do jogo, Vitória quatro, Bahia um (sem nenhuma provocação).
Estava eu e meus três irmãos. Lembro que havia tanta excitação no ar que eu não cabia em mim. Nem de longe eu saberia que aquele dia seria o primeiro de muitos. Mas desde a minha primeira vez, eu sabia que ir a um estádio era um tipo de diversão que amaria para sempre.
Aproximadamente vinte anos depois continuo apaixonado por estádios, na verdade mais apaixonado. Porém atualmente minha visão sobre isso se ampliou, pois hoje ir a um estádio é um prazer indescritível. E vai muito além do futebol.

Arena Fonte Nova, Salvador, Bahia - Brasil.
A primeira vez que fomos a um estádio, eu e Camila, foi “para” conhecer meu sogro (acho que assim foi mais fácil, pois meu sogro tinha algo além de mim para se concentrar, seu amado Bahia. Eu, ao menos, estava com a camisa do Barcelona, e talvez pelas cores serem parecidas, ele me foi simpático, apesar de falar suavemente a frase “ah, esse camisa é do Barcelona né?” (acho que ele esperava mais, estava um pouco decepcionado por eu não ser “Baêa”).
Mas desde então nunca mais paramos de conhecer estádios, como eu disse passou a ser além do futebol. Isso por que existem estádios que não são para futebol que tenho sonho de conhecer. A cada cidade que visitamos sempre procuramos saber qual o estádio local, e sempre que possível vamos, tendo jogo ou não.
Isso acontece por que penso que estádios são lugares incríveis mesmo. Independente do tamanho, do esporte praticado, de ser moderno ou antigo. A beleza que vejo num estádio pequeno tradicional é diferente da beleza que vejo num estádio moderno e grande. São belezas diferentes. O estádio, ele traz consigo inúmeros simbolismos, mas penso que o principal é a reunião de pessoas. É um espaço onde as pessoas se reúnem para celebrar algo, extravasar, se divertir e serem felizes mesmo que seja por alguns minutos (me recuso a falar de violência e dos marginais travestidos de torcedores). Eu fico com o lado romântico de tudo isso, a parte lúdica, histórica e poética. Onde as pessoas doam parte de si para apoiar algum tipo de paixão, um ídolo, uma filosofia, ou simplesmente a vontade de torcer por algo que vai além de si mesmo.
Semple Stadium, Tiperary, Irlanda.
Quando é possível vou ver um jogo num estádio. Mas as vezes vou só para ver o estádio mesmo. Quando há um museu então é perfeito. Ali você entende como e por quê a história moderna da humanidade se confunde com a história do esporte, e vice-versa.
De todas as artes, talvez só o esporte, consiga mudar uma quantidade incontável de vidas diretamente. As vezes me pego pensando o quão chato seria nossas vidas sem esportes. E nesse caso, minha paixão por esportes, vai além da minha paixão por estádios. Mas voltando a eles, não me lembro quantas vezes me sentei numa arquibancada, tendo jogo ou não, para admirar o lugar, a arquitetura, imaginar os dias de glórias de alguém, as desilusões de outros que mesmo derrotados saíram dali com a certeza que deram tudo de si por algo que talvez consiga ser individual e coletivo ao mesmo tempo. Simples, fugaz e ao mesmo tempo complexo e poderoso.
Das construções humanas, em seus sonhos de construir algo que dure para sempre, os estádio para mim tem a mesma importância de castelos, museus, teatros, arenas e tantas outras criações mais. Até por que num estádio um rei pode ser coroado, histórias são contadas e eternizadas, espetáculos podem ser vistos, belas batalhas de superação podem ser travadas e lembranças eternizadas.

Estádio Camp Nou, Barcelona.