Na mão-inglesa
- Camila & Lucas Jasper.
- 23 de out. de 2015
- 3 min de leitura

Após um ano "vivendo na mão-inglesa”, hoje obviamente digo que é algo super natural. Engraçado, há poucos dias, que vim saber por que em alguns países o trânsito flui "ao contrário" do resto do mundo.
A história é que originalmente o trânsito seguia a referência da Inglaterra, sempre economicamente e culturalmente influente em todo mundo. Fato é que a maioria dos soldados ingleses eram destros e logo suas lanças e espadas estariam localizadas ao lado de quem vinha no sentido inverso facilitando possíveis ataques e defesas em combate.
Mas após as conquistas do império napoleônico muitas partes do mundo eram comandadas pela França e como o líder francês era canhoto institui que em seu império todos usariam suas espadas e lanças do mesmo lado que ele, o que veio bem a calhar, uma vez que Napoleão não se "dava" com a Inglaterra.
Sendo assim estava então instituída a "mão francesa", hoje dominante no mundo.
Após a independência dos Estados Unidos da América diante da Inglaterra, os estadunidenses resolveram adotar o modelo francês, mais precisamente "anti-inglês".

Lendo isso fiquei me lembrando da nossa experiência prática em dirigir na mão-inglesa, e que alguns amigos brasileiros ficaram curiosos e nos perguntaram se havia sido "louco".
Bem, nossa experiência ocorreu quando viajamos de Dublin para o Cliffs of Moher aqui na Irlanda (leia texto Cliffs). Como nunca havíamos tido essa experiência preferimos tomar alguns cuidados, e que ficam como dicas. Preferimos sair cedo, assim teríamos menos tráfego pelas ruas de Dublin, diminuindo assim a chance de termos algum acidente no trajeto. Também planejamos a rota no Google Mapas tomando o caminho mais perto para a estrada, assim sairíamos rápido da via de mão dupla e diminuiríamos a chance de cometer erros (dica do nosso amigo Ricardo Barbosa). Essas foram as nossas "táticas" para entrar nesse desafio.
Admito que a primeira coisa que pensei foi o óbvio, vai ser confuso ver tudo ao contrário e vou acabar entrando na contra-mão. O medo de Camila foi o mesmo, mas já já ela mesma conta como foi para ela.
Após alguns quilômetros andando na menor velocidade permitida me senti mais confiante, já estava até achando engraçado e divertido, quando me atentei para uma coisa que agora parece lógica. Eu só precisava me imaginar em uma pequena rua de mão única, ou seja, eu estou dirigindo numa rua de apenas uma faixa, a minha. Esqueci "completamente" os carros no sentido contrário. Depois de alguns minutos comecei a perceber que o desafio mesmo era trocar marchas com a mão esquerda! Eu sou destro, mas acho que até um canhoto que "treinou” a vida toda para fazer as trocas com a mão menos habilidosa teria essa mesma dificuldade. Mas acostumei rápido com isso também, foi só ter mais atenção aos encaixes nas trocas de marchas.
Por fim na estrada, a questão era lembrar que ultrapassagens são feitas pela direita, ou seja, se mantenha a esquerda e voilá! Digo, ok! Você está pronto para dirigir na mão-inglesa

Bem, antes de começar a falar como foi para eu dirigir, preciso falar que o Lucas entrou na contra-mão rapidamente. Era um caminho perto da nossa casa e, portanto familiar. Mas como estávamos no processo de adaptação e tínhamos muita coisa para prestar atenção. Sorte é que estávamos chegando à sinaleira e os carros com velocidade mínima. Falo um pouco assustada: “cuidado. Você está na contra-mão”. E rapidamente volta-se a sua pista para seguir viagem. Confesso que estava ansiosa para dirigir. Para mim, dirigir não é só dirigir, é um prazer sem explicação. Mas precisava mesmo no banco do carona, me acostumar com o novo cenário.
Então Lucas foi dirigindo na estrada até que chegamos à cidade que ficaríamos perto do Cliffs. Colocamos nossas coisas no hotel e saímos para conhecer a cidade. Eis que eu estava preparada para esse novo desafio. É confuso. Sim. Muito confuso mesmo. O mais difícil é passar a marcha com a mão esquerda. Toda hora eu procurava o cambio de marchas com a mão direita e não encontrava. Contudo, de fato, depois você acostuma. Em relação a faixa comecei a pensar da seguinte maneira. Eu motorista tenho que sempre estar para a faixa de dentro da pista. E isso me ajudou. Toda vez que eu tinha que sair de uma pista para entrar em outra era nisso que eu pensava. Porém isso tudo é fácil. Eu achei. Porém o mais difícil são as rotatórias. E aqui elas são muitas. O tempo todo. No inicio me senti uma motorista recente, caloura no volante. Mas o mais importante disso tudo foi que vencemos os medos. Encaramos o desafio. E saímos com a sensação de que conseguimos fazer mais uma coisa bacana nas nossas vidas.
Então, podemos dizer que para nós dirigir na mão-inglesa não é algo de outro planeta. O bem da verdade é até divertido e quem sabe repetiremos essa experiência!