Um ano na Irlanda.
- Camila & Lucas Jasper.
- 6 de out. de 2015
- 3 min de leitura

Fotografia: Lucas Jasper.
Há exato um ano chegamos a Dublin, aqui na Irlanda. A mala cheia, pois trouxemos nossa vida para cá. O Brasil geograficamente ficou para trás, mas também veio conosco dentro de nós. Após casarmos penso que essa foi a segunda maior decisão das nossas vidas. Lembro-me de cada rosto que, ao saber que havíamos decidido vir se espantou, ficou feliz, curioso, esperançoso e até mesmo triste, ao menos em parte. Fomos contando para cada um a seu tempo e dessa forma pudemos viver cada reação de uma forma única. Esse foi nosso principal assunto no voo de São Paulo para a Frankfurt na Alemanha. Cito a Alemanha por que foi lá que demos a primeira noticia fora do Brasil. Era meu irmão André o mensageiro para nossas famílias. Após isso notícias só já em Dublin.
Não há como falar aqui nesse texto tudo que vivemos, um ano é realmente impossível de contar. A gente brinca que cada mês parece um ano. Você vive tudo ao mesmo tempo. Expectativa, saudade, incertezas, conquistas, derrotas, se deixa abater se recompõe, se faz ausente e presente, desaprende e aprende coisas novas todos os dias. Certamente seria assim em qualquer outro país e provavelmente para a maioria das pessoas. Assim foi para nós, assim é. A Irlanda é a nossa primeira casa, antes disso nem éramos casados. Casamos e viemos e aqui estamos. Dia-a-dia na saga de viver como todo mundo.
Já nos perguntaram milhões de coisas, sobre nossas vidas, sobre as pessoas aqui, sobre aprender outro idioma inserido em outro lugar que não fala sua língua natal, sobre o país em si, e fizeram até perguntas que nem sequer entendemos (em vários idiomas).
Pensamos que viver aqui é como se viver em qualquer lugar, se você quer mesmo, tem que se permitir. Você precisa vivenciar o lugar, as pessoas, os costumes, as faltas das coisas que você está acostumado. Pensamos que você precisa ser feliz onde está, caso não, estará deslocado e em parte ou totalmente infeliz. Assim é e será em qualquer lugar.
A Irlanda tem muita coisa boa, especiais e incríveis. Tem defeitos, problemas e dificuldades, mas todo lugar tem, e é nisso que se esconde a possibilidade de continuar melhorando.
Talvez você esteja pensando, já que viver na Irlanda é como viver em qualquer lugar por que então falar sobre isso? Simples, para agradecer. Agradecer a esse país e as pessoas que conhecemos aqui. Aos que nos ajudaram e nem nos conhecia, as pessoas que se tornaram nossos amigos e nos deram e nos dão muito. E por isso queremos agradecer e continuar agradecendo e tentando retribuir a altura.
A Irlanda é como aquela professora que você jamais esquece. Até quando você não está perto dela ela aparece em sua memória ao menos para te dizer que você fez algo errado e ficará de castigo. Às vezes você sente raiva disso, mas você sabe que ela é a uma senhora experiente e que já viveu muita coisas. Ela tem Conhecimento. Ela te mostra muita coisa boa, muita coisa ruim e também mostra que ela não é a única, que ela não é a melhor nem pretende ser. Afinal, certas senhoras não precisam mais prestar contas a ninguém.
Falo da Irlanda por que é bem isso, vivemos em Dublin, mas tivemos inúmeras oportunidades de conhecer a todo o país. Não sei quantos textos, vídeos e fotos produzimos e ainda vamos produzir. O We Upp nasceu na Irlanda e isso faz dele um cidadão do mundo nascido meio brasileiro meio Irish (irlandês) como se diz por aqui. E ele afora contar as histórias que essa senhora tem para nos contar, atentos vamos acompanhando e tentando compartilhar. Curiosos e esperançosos continuamos ao lado dela.
Nossa! São muitas vivências, essa mistura de pessoas de todos os lugares convivendo no mesmo espaço, tantos idiomas sendo ouvidos e às vezes ao mesmo tempo, os lugares (impossível enumerar), as bebidas e comidas, cores, cheiros, surpresas e claro, o clima, a chuva fina, as três estações no mesmo dia, o inverno de dias curtos, a primavera de cores intensas, o verão de dias longos e, claro, as pessoas. É, e lá se vão doze meses, ou doze anos como costumamos contar. Sem exagero, cada dia é literalmente um novo desafio e prazer.
Com tanto para dizer só podemos dizer novamente, obrigado! Continuamos juntos nossa querida senhora. E preciso te dizer a resposta que sempre demos quando perguntados se gostamos de você.
Nós te amamos.