Texto: Newgrange.
- Camila Jasper.
- 22 de set. de 2015
- 5 min de leitura
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Ouvimos falar de um lugar bacana aqui na Irlanda que dizem ser mais antigo que Stonehenge (no sul da Inglaterra) e as pirâmides do Egito. Hã?! Como assim? Nunca ouvi falar nesse lugar. Pois é mais ele existe há mais de 5000 anos. E ai o que aconteceu foi a curiosidade e a vontade de conhecer um lugar que é considerado um sítio arqueológico e pré-histórico. Então começamos nossa pesquisa.
Localizado no condado de Meath, Newgrange é um lugar onde foram construídas tumbas no conjunto arqueológico do vale do Boyne. Sua data de construção é por volta de 3200 AC, durante o período Neolítico. No local foram encontrados restos humanos de cinco indivíduos cremados, e por isso acredita-se que o local foi usado principalmente como uma tumba.
Na construção de Newgrange houve muita engenharia envolvida. Foi construída, de maneira que, o nascer do sol do dia mais curto do ano (solstício de inverno), incidisse um raio de sol que ilumina por pouco tempo o piso da câmara no final de um longo corredor dentro da tumba. Precisa dizer algo mais?
Pois Bem, para chegar, partindo de Dublin, Irlanda, você pegará um ônibus ou trem até a cidade de Drogheda, no condado de Louth. De lá há outro ônibus que leva ao centro de visita de Newgrange. De Drogheda até o centro de visitas é bem perto e como compramos as passagens de ida e volta (reduzindo o preço) não nos preocuparmos com a volta. Porém não sabíamos que o último ônibus de retorno do centro de visitas para a cidade voltaria as 15:00 horas. Ai já sabe o que aconteceu. Voltamos de táxi. São essas experiências em passeios que nos fazem pensar em mais uma coisa na próxima viagem para que evitemos transtornos. Procurar saber os horários é fundamental para qualquer coisa. Pensar que estará em funcionamento todo o tempo não basta. Mas enfim, depois dessa “dica”, vamos nós ao passeio.
Chegamos ao centro de visita de Newgrange. O caminho para a recepção é belíssimo. De lá já é possível avistar a tumba que antes era somente vista em fotos. Sabíamos que uma pequena caminhada nos esperava, mas logo algumas dúvidas foram esclarecidas. Compramos o ticket de entrada e fomos orientados que o passeio era realizado em dois momentos, (Esse tickets são identificados com cores e horários dos grupos para embarque nos ônibus). Isso mesmo. Para você conhecer o sítio arqueológico, os visitantes eram conduzidos em micro-ônibus, que retornavam ao centro inicial e posteriormente pega-se outro ônibus no horário agendado para o outro local. Vale destacar também que tem um guia contando toda a história. Não precisamos nem falar que foi sensacional. Adoramos muito. Tudo muito organizado em relação a atendimento e infraestrutura. A lojinha de souvenires estava lá, sorteada de lembranças da Irlanda e de Newgrange. Para variar compramos um lápis. Não sabemos bem como essa história de colecionar lápis dos locais que visitamos começou, mas o que importa é que aonde vamos procuramos um lápis de lembrança. Ah, lembrei. Acho que começou no Rio de Janeiro no MAC (Museu de Arte Contemporânea) em Niterói. Mas voltando, além da loja de souvenires, tem um restaurante, onde tomamos uma sopa com pão no intervalo entre os passeios (Aqui vale um parênteses para informar que o local só possui um restaurante, o Brambles, e um Museu).
O Museu é bem interessante, com reprodução de vestimentas da época, objetos utilizados pelos moradores, réplica de animais, esqueleto humano. Você terá tempo suficiente para conhecer o museu, pois ele fica logo na entrada e é o início de embarque da aventura Newgrange enquanto se espera a primeira parada.
Chegada nossa hora, lá fomos nós rumo à aventura das tumbas. O trajeto corta uma fazenda com casas e vida normal das pessoas que ali moram. Primeira parada Knowth, com uma tumba maior e outras pequenas ao redor, a primeira vista parecia aquela casinha dos Teletubbies. Brincadeira feita por nós. Mas claro que apesar de brincarmos, respeitamos acima de qualquer coisa, o lugar e sua história.
Fizemos nossas imagens e seguimos com o guia. Logo queríamos poder entrar em uma daquelas tumbas. E, para nossa felicidade, sim, em duas é possível entrar. Uma em Knowth e outra em Newgrange. Na primeira bem tranquila e com espaço suficiente para adentrar, porém na segunda, um pouco mais apertado e sufocante. Mas valeu a experiência para poder conhecer. Depois de alguns relatos o guia desliga todas as luzes e é possível ver o feixe de luz entrar pela tumba. Simplesmente espetacular.
Finalizado nosso passeio a Newgrange e de retorno a Drogheda, agora só nos restava aguardar, pois da cidade à Dublin tínhamos alguns horários e é lógico que nós não poderíamos perder a oportunidade de circular naquela pequenina cidade. A estação do ônibus é bem central e lá fomos nós andando pelas suas encantadoras ruas. Além de conhecer o lugar, confessamos que estávamos mesmo era procurando um tradicional Pub Irlandês para beber uma Pint e degustar um prato local, pois a essa altura a fome já estava instalada há muito tempo. Caminhamos e tivemos dificuldade de encontrar um local que servisse bebida e comida. Isso às vezes acontece, pois eles, na maioria das vezes, possuem locais só para comer e outros só para beber. Mas, apesar da fome, temos paciência em conhecer os lugares, e eis que achamos um Restaurante moderno e bem aconchegante. Lá pedimos nosso predileto Chicken Wings. Um com molho barbecue e outro com molho de uísque Jack Daniel’s, com Pints de cerveja Brú. Agora sim o passeio estava completo. Degustamos calmamente conversando sobre o lugar e nossa experiência.
O sentimento é que aquele sítio arqueológico de Newgrange é um daqueles lugares que nos faz pensar. Faz-nos pensar na história da humanidade e sua evolução como um todo. A luta pela sobrevivência contra e com a natureza. Uma existência quase tribal, mas inventiva ao ponto de criar coisas que parecem ser imagináveis nos dias de hoje. O estudo do sol, das estações e do clima reunindo conhecimentos incríveis para uma civilização que parecia ter como único objetivo somente sobreviver ao próximo rigoroso inverno. Uma civilização que há séculos atrás vivia desconectada do resto do mundo que por sua vez era quase ermo. A capacidade das pessoas de com utensílios considerados rudimentares conseguirem viver a condições que hoje não conseguiríamos. Viver sem a ajuda da tecnologia, coisas que hoje vemos como "fundamentais", dentre elas aquecedor e coisas do gênero. Tudo isso é impressionante.
Depois desse passeio, retornamos à Dublin com a sensação de que nossa “bagagem” estava cheia de histórias e de mais momentos inesquecíveis.