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Texto: A maternidade em mim, em nós.‏

  • Mariana Silva.
  • 14 de set. de 2015
  • 2 min de leitura

Hoje de madrugada minha filha acordou e, ao colocá-la pra dormir novamente, comecei a relembrar de tudo que vivi por ela e com ela. Notei o quanto já passei nesses dois anos, pude constatar que – ao me tornar mãe – pude ter a chance de me tornar uma pessoa melhor e abrir um leque de possibilidades de ser feliz mesmo que pareça estar em um interminável caos.


A maternidade muda nossa ótica sobre boa parte de tudo que nos rodeia, a vida vira um constante pagamento de língua. O que antes era uma verdade absoluta passa a ser um conceito frágil e totalmente flexível. As antigas prioridades dão lugar a uma única: o bem estar do filho. Damos um “até breve...” ao salão de beleza, aos saltos altíssimos, àquela roupa justa e a todo o cultivo à vaidade, que nos favorecia como mulheres e damos um sonoro “bem vindo!” a tudo que facilite a vida anulada das mamães. E, pasmem, vale a pena e passamos um bom tempo sem sentir falta de nada, sequer temos tempo de lembrar do passado.


De repente, booom! Acaba a licença maternidade e há a urgência de se ver longe da cria por algumas horas diárias. Instala-se um dilema em nossas vidas, todo um plano de carreira e anos prévios de estudo são postos em questão. Por incrível que possa parecer, todas as opções são vitoriosas, afinal tanto desistir da carreira profissional quanto voltar ao mercado de trabalho são atos de imensa bravura. Eu escolhi voltar ao batente e até hoje me pego angustiada para voltar para casa, tenho mini infartos quando vejo uma ligação do marido, já imaginando possíveis acidentes e aprontes da minha meninota. Fico imaginando como meus pais sobreviveram sem os adventos tecnológicos que tanto facilitam minha vida, não resistiria a uma vida sem aplicativos de vídeo-ligações e afins...


Acredito que não há fase em que nós, mulheres, nos aproximemos mais dos animais irracionais, em geral. Os instintos se apuram, tudo se torna mais sensorial e intenso, a necessidade de proteger a cria e o lar aumenta e os nossos hormônios entram em colapso total. O fato de ser a matéria prima básica da alimentação do bebês, a comunicação não-verbal entre mãe e filho, leitura de sinais, interpretações das reações, até então desconhecidas pelas mães de primeira viagem – como eu – e todas as vivências difíceis de explicar nos assemelham às fêmeas exemplares (no meu caso, parecia uma onça parideira mesmo, mas passou... ☺).


Ainda bem que tudo vai se moldando, se atenuando, o novo cotidiano se torna cada vez mais delicioso e menos assustador. Descobrimos que a experiência da maternidade é singular e plural. Diminuímos as cobranças sobre nosso desempenho e aprendemos a ser imperfeitamente completos. Pais e mães se veem como tal e ampliam gradativamente a consciência de que estão capacitando futuros cidadãos, dotados de gentileza e talento para a alegria, educação, criatividade e coragem para errar e acertar, acertar e errar, viver com vontade de fazer diferença no mundo!

 
 
 
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