Texto: Giant's Causeway. Irlanda do Norte. Reino Unido.
- Camila Jasper.
- 10 de set. de 2015
- 6 min de leitura
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Morar em Dublin é viver querendo conhecer lugares. Certamente você verá todos os dias um monte de anúncios e propaganda de passeios para os mais diversos pontos turísticos da Irlanda. E como a Irlanda do Norte é ali logo do lado (encima mais precisamente), você também ficará informado sobre todos os lugares extraordinários existentes nessa ilha.
Os pacotes de passeios são bem interessantes, geralmente com dois lugares de destaque e outros, menores, mas não menos importantes, que ficam no decorrer do caminho. O passeio para o Giant’s Causeway não foi diferente. Escolhemos dentre as inúmeras ofertas àquela que melhor atendia aos nossos desejos e fomos. Vale destacar que todos os passeios, geralmente, com empresas são bons, porém bem corridos. Então vá preparado com sapato e roupas confortáveis, e no caso da ilha, com roupas que te aqueçam, e pronto. Agora é só ficar com a máquina fotográfica na mão e capturar as melhores imagens vista através de suas lentes.
Estávamos em Belfast, capital da Irlanda do Norte, desde o sábado, onde aproveitamos para conhecer a cidade. No domingo acordamos bem cedinho, tomamos nosso café reforçado e seguimos para o local de saída do passeio. Aqui vale contar uma historinha engraçada. No sábado pegamos um ônibus para Belfast. Não estava muito cheio, mas com um número razoável de pessoas. Entramos e seguimos viagem. Confesso que não sou muito boa em gravar nome das pessoas, mas fisionomias, ah isso fica gravada na minha memória. Seguimos. Passeamos no sábado. E no domingo quando estávamos descendo pelo elevador do hotel a caminho do Giant’s eis que nos encontramos com um casal que estava no mesmo ônibus no dia anterior. Começamos a falar em inglês com eles e logo percebemos que o rapaz era brasileiro. Eram eles, o Rodrigo Santos e a companheira polonesa Ania Ciolkowska. Demos muitas risadas, recordamos termos nos visto no caminho, e coincidência, eles também estavam a caminho do mesmo passeio que o nosso. Então, seguimos entusiasmados, para nosso dia de aventura.
Uma coisa é importante destacar nesses passeios. Eles são bastante pontuais. Se a saída está marcada para às 9 horas, se programe e chegue pelo menos com 10 minutos de antecedência para evitar problemas. Outra dica importante é sempre olhar o caminho para chegar ao local, ou até mesmo, conhecer a rota com antecedência. Como a cidade que você está visitando geralmente você não conhece, obter todas as informações antecipadamente é sempre bom. Claro que às vezes tudo isso não é possível, então faça da melhor maneira para sua realidade.
Saímos às 9h de Belfast rumos a conhecer o Dunluce Castle. Esse castelo fica na costa da Irlanda do Norte e a vista realmente é fantástica. Devo confessar que castelos me encantam. Não só pela sua grandiosidade e beleza, mas principalmente pelas histórias. Fico imaginando como teria sido circular por todos aqueles corredores, janelas e passagens secretas. Nem todos estão perfeitos, mas é esse desgaste do tempo que o faz ainda mais especial. Vimos o Dunluce Castle de longe por que infelizmente o acesso a ele está fechado em virtude da segurança dos visitantes. Não é oficial, mas foi a informação que recebemos. Mas de toda maneira fica aqui uma dica, muito passeios fornecidos por empresas oferecem o que eles chamam de Photo Stop, que nada mais é que uma parada de 5 a 10 minutos para que os turistas façam algumas fotos, e infelizmente nem sempre perto do lugar, muitas vezes compondo uma paisagem como foi nesse caso. Resumindo, já que paramos, fizemos algumas fotos registrando mais um castelo.
O dia estava chuvoso, fechado e o vento forte. Ah, o vento, esse sempre estará presente em todos os seus passeios pelas “Irlandas" independente de estar na primavera, verão, outono ou inverno. Mas não reclamamos. No final ele até nos proporciona fotos e situações engraçadas.
Seguimos para o tão esperado Giant’s Causeway (Calçada dos Gigantes). Localizado no condado de Antrim, Irlanda do Norte, a cerca de três quilômetros ao norte da Vila Bushmills. Mais tarde saberá por que falamos dessa vila. A calçada é uma praia que possui um conjunto de cerca de 40.000 colunas prismáticas de basalto encaixadas como se fosse uma enorme calçada de pedras. Essa formação foi resultante de uma erupção vulcânica ocorrida há cerca de 60 milhões de anos. Uma curiosidade é que o Giant’s Causeway e sua costa foram declarados pela UNESCO patrimônio da humanidade a partir de 1986, e reserva natural desde 1987. Depois desse breve informativo, voltamos a nossa jornada.
Chegamos e tínhamos exatamente uma hora e meia para contemplar toda essa maravilha. Logo na “recepção” vemos um pequeno café e um centro de informações. O lugar oferece uma ótima estrutura inclusive com ônibus interno do complexo para fazer o trajeto Centro de Visitantes - Giant’s Causeway, isso pago a parte para quem desejar. A distância até o Giant’s é considerável e por isso alguns visitantes o fazem com estes ônibus. Os de passeio não são autorizados a fazer esse trajeto. No entanto, como nós queríamos capturar todas as imagens possíveis, fomos caminhando. A chuva até que era uma chuva fina, mas em alguns momentos tínhamos que ser bem firmes, pois corríamos o risco de sermos levados pelo vento, ok não é para tanto, foi só uma piada. Se segurar e segurar os equipamentos é, muitas vezes, uma missão quase impossível. Contudo, nossa alegria, entusiasmo e vontade de registrar são maiores e assim conseguimos fazer nossas imagens.
Alguns lugares têm suas histórias, estórias e lendas. Nesse vamos ficar com a lenda que é um tanto quanto curiosa. Conta-se que há muitos, mais muitos anos atrás, existia um gigante irlandês chamado Finn MacCool que queria lutar com um gigante escocês Benandonner. Para que esse “encontro” acontecesse era necessário atravessar o mar e por causa do seu tamanho não existia nenhuma embarcação que o coubesse. Vale destacar que o escocês era bem maior que o irlandês, conta a lenda. Diante desse problema e com muita vontade do embate, eis que o Benandonner (escocês) aceitou o desafio da luta e decidiu construir uma calçada que ligaria os dois lados. Pronto! Problema solucionado, ia ter luta! Observando tudo isso e querendo evitar o confronto, a esposa do Finn MacCool ao saber que o Benandonner estava a caminho de sua casa para lutar, resolveu então vestir seu marido como se fosse um bebê. Quando o Benandonner chegou e deu de cara com um bebê daquele tamanho logo imaginou: “Se o bebê é desse tamanho imagina o pai dele”. Saiu correndo de volta para sua casa pela calçada e ao retornar destruiu a ponte para que o gigante irlandês não viesse atrás dele. Dessa construção restaram-se apenas algumas pedras que hoje seriam o Giant’s Causeway. Lenda a parte, essa estória serve para trazer mais graça e encanto ao lugar.
Uma hora e meia passou com se fosse quinze minutos. O tempo passou muito rápido e quando olhamos o relógio percebemos que só nos restavam uns dez minutos para o nosso ônibus partir e nós ainda estávamos bem distantes. Uma ladeira nos esperava para ser percorrida e lá fomos nós correndo literalmente para não perder o ônibus. Chegando lá partimos imediatamente rumo a Destilaria Bushmills. Então, quando citamos acima a vila era por conta disso. O roteiro contemplava conhecer o lugar onde é produzido esse maravilhoso uísque. Com uma recepção belíssima e espaços internos bastante aconchegantes. A destilaria conta com o tour pela fábrica, uma lojinha de souvenirs e um restaurante, onde também o visitante tem direito a degustar pequenas doses do delicioso uísque irlandês. Ficamos somente na loja e restaurante, pois não haveria tempo para o tour (é uma coisa falha em nossa visão, pois você precisa ter sorte do seu ônibus chegar ao lugar a tempo de coincidir com o horário de inicio do tour). Mas de todo modo valeu para comprar uma lembrança, degustar os diversos tipos de uísque e apreciar as instalações.
Depois de tantas aventuras você deve está pensando. Acabou o passeio. Tudo isso em um único dia. Haja disposição. Pois é, isso é verdade. Tem que ter muita disposição, mas o passeio ainda não terminou. Falta ainda o último lugar, e talvez o mais assustador para pessoas que como eu tem medo de altura. Sim, saímos da destilaria e a próxima e última parada foi para visitar a famosa Carrick-a-Rede Rope Bridge. Uma antiga ponte de cordas, construída por pescadores de salmão, que liga uma ponta pronunciada de terra à ilhota de Carrick. Para nós, ligando um penhasco a outro. Sua altura é de mais ou menos 20 metros. No caminho estávamos bastante apreensivos, pois chovia muito e o vento era além do que estamos acostumados a ter. Logo recebemos a informação do guia que a ponte estava fechada para a travessia devido às condições climática. Chegamos até o local onde existem um café e um loja de suvenirs, ficamos uma hora e meia, e os que quisessem caminhar até a ponte poderiam, sabendo que estava fechada. Decidimos ficar no café pois chovia muito. Muito mesmo.
O sentimento de não seguir ficou em nós, mas certamente sabemos que talvez um dia essa travessia aconteça. Isso também nos encanta nas viagens. Saber que sempre ficará alguma coisa a ser feita daquele lugar. Tomamos uma sopa bem quente com pão. Aquecemos nossas almas. Divertimos nossos olhos com os suvenirs e seguimos viagem. Retornar para Belfast foi, mais uma vez, uma experiência inesquecível aos nossos olhos. O trajeto foi realizado todo pela costa onde o mar estava lá com toda sua imensidão. Tivemos muitos momentos de frio na barriga devido a estrada ser bem estreita com trechos de penhasco, chuva constante e vento ecoando nos nossos ouvidos. Mas, para acalmar nossa mente, bastava olhar o horizonte e se tranquilizar no imenso mar cinza que o dia nos ofereceu.