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Texto: À flor da pele.

  • Lucas Jasper.
  • 7 de set. de 2015
  • 3 min de leitura

Imagem: Cena do filme Um sonho de Liberdade.

Qual a última vez que você esteve à flor da pele? Talvez seja essa uma das perguntas mais difíceis nos tempos atuais. Penso isso por que esses são tempos em que as pessoas são levadas a ser mais superficiais. A consumir mais, não necessariamente com mais qualidade, são levadas a querer as mesmas coisas, sem ser precisamente o que cada um quer, a ser mais coletivos (em números não em equipe), abandonando sua individualidade e como efeito colateral acaba por se sentirem ou serem egoístas.


Penso que são tempos difíceis para se pensar em experiências realmente inesquecíveis. Até mesmo tempos difíceis para se saber o que realmente se quer.


Quando falo à flor da pele não por tristeza, revolta ou até depressão, não digo nesse sentido por que isso é algo que posso até exemplificar, mas o mundo é enorme e cada indivíduo tem suas próprias inquietações e cada país (por exemplo) tem seus próprios problemas.


Dada essa introdução um tanto quanto extensa preciso repetir a pergunta. Qual a última vez que você esteve à flor da pele?


Pode ser qualquer coisa, momento, expectativa ou situação. Uma pele arrepiada, um frio na espinha, uma ânsia no estômago ou aquele brilho nos olhos.


Às vezes é bem difícil estar à flor da pele, mas às vezes é bem mais fácil do que se imagina. Mas para isso penso que devemos nos entregar a algo, mesmo que seja "somente" a nós mesmos. Estar nesse "estado de espírito" a que tento me referir é sentir aquele "frisson" de estar vivendo algo realmente significativo para si mesmo, ou com as pessoas que você gosta. É estar inteiramente no lugar que você realmente gosta ou sempre sonhou estar, é beber sorvendo o sabor que você mais gosta, saboreando cada mililitro de sua bebida preferida ou de uma bebida que jamais ouviu falar e agora teve a oportunidade de provar. Beijar alguém que a gente ama com a paixão que vem do fundo de nós. Ou simplesmente dormir sem se preocupar com horário, compromissos ou de não se preocupar em por o celular para recarregar.


Sempre que penso em estar à flor da pele penso nas sensações que a vida nos oportuniza sentir. As que nunca vivi e fico imaginando como deve ser. Um surfista que consegue surfar a onda a qual esperou durante um dia inteiro. Um compositor que termina sua composição. Um pintor e seu quadro concluído. Um músico que finaliza um show inesquecível para ele. Uma mãe e um pai que vê o seu filho pela primeira vez. Um cientista que descobre algo. Um piloto que voa pela primeira vez. Alguém que pulou de paraquedas, bunge jump ou do alto de uma cachoeira. Um esportista que participa de sua modalidade memso que seja pelo prazer de participar. Um surdo, mudo, ou pessoas com alguma dificuldade de mobilidade que recupera sua capacidade de fazê-lo. Alguém que salvou a vida de outro.


Não há como descrever, quantificar ou explicar nada disso, e provavelmente por isso seja tão importante, nos cabendo somente sentir. Momentos que não lembramos e que nos mudam para sempre, como ver, falar e ouvir pela primeira vez. Penso que há só dois momentos à flor da pele durante toda a vida que são impossíveis de não se viver, mas provavelmente são esses dois, exatamente os únicos, que não lembramos. O nascimento e a morte. O intervalo entre esses dois é o nosso universo de ilimitada sensações.



 
 
 
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