top of page

Texto: A consumição.

  • Mariana Silva.
  • 22 de ago. de 2015
  • 2 min de leitura

Antes de desenrolar o texto de hoje, te convido a fazer um exercício comigo. Me responda, você compra por desejo ou por vontade? Que pergunta difícil... Será mesmo? Eu sempre gostei de comprar e hoje me vejo em um processo de simplificação da vida, mas sei o quanto é difícil resistir a uma liquidação, a uma pequena indulgência quando recebo o salário, enfim, o quanto é árduo o esforço da organização das finanças. A criação e valorização social de padrões de comportamento fazem com que tenhamos um esforço de aquisição de bens e serviços – que nem sempre necessitamos, de fato - que nos permitem ser aceitáveis.


A sociedade vive em um ciclo vicioso de insatisfação com o que tem. Somos diariamente atingidos pelo rolo compressor do consumismo, desvalorizando o que já temos e nos ofertando produtos novos, lindos, reluzentes e cruelmente sedutores. Separar o desejo da necessidade se faz imprescindível, mesmo que – geralmente – a gente se atente tardiamente. A publicidade, as promoções, queimas de estoque e a facilidade ilusória nos pagamentos de tais compras fazem com que o desplanejamento e compulsão seja cada vez mais nocivo às nossas vidas e ao nosso bolso no fim do mês.


A tendência consumista muitas vezes revela a nossa necessidade de pertencimento a um grupo social e o desespero em sermos aceitos e vistos como modernos, descolados. Uma frase recorrente em conversas nas reuniões de amigos é: “Você já viu o novo modelo de celular (computador, carro ou bolsa) que a marca X lançou?” E todos ficam com o olhar perdido, se imaginando com tal bem de consumo e se sentindo satisfeitos e plenos. Podemos ouvir até suspiros emocionados...


Ao contrário do que se propaga, atualmente homens e mulheres disputam o título de “Mais consumista”, foi-se o tempo em que só as mulheres compravam desfreadamente. O universo da vaidade masculina os leva a adquirir mais produtos, experimentar novidades e ser digno de tratamentos exclusivos, vips e especiais, como quem os consume. A verdade é que todos tem poder de compra, ambos se deixam levar pelo apelo das lojas. Vai-se o dinheiro que, muitas vezes, nem existe.


Qual a real necessidade de trocarmos nossos bens por outros mais atualizados, uma vez que nada está quebrado? Seria necessário implementar nas escolas uma disciplina de planejamento financeiro, como antigamente? Qual o nosso papel nesse cenário mercadológico, uma vez que somos peça-chave na cadeia comercial? Muitas perguntas... O segredo está em começar aos poucos a busca da lucidez e consciência na hora de compra e na vida, como um todo. Que as pessoas consigam dar mais importância à essência, busquem ter uma relação saudável com o dinheiro – e com o que ele proporciona - e que consigam domar o consumismo a rédeas curtas.


 
 
 
Posts Recentes
Recent Posts
Arquivo.
bottom of page