top of page

Texto: Do que sinto falta hoje.

  • Lucas Jasper
  • 19 de ago. de 2015
  • 3 min de leitura

Imagem: O Pensador. Artista: August Rodin.

Quando alguém me pergunta, ou quando eu pergunto a mim mesmo do que sinto falta, a resposta é imediata. Das pessoas. Diante de tudo que a vida nos oferece, de tantos universos que a vida contempla, hoje do que sinto falta é das pessoas.


Considero-me uma pessoa de sorte, tenho uma ótima família, e sempre tive poucos amigos, mas incríveis! Pessoas que me fizeram e me ajudaram a melhorar, que acreditaram em mim, me respeitaram, gostavam de mim como eu era e me aperfeiçoaram no que eu falhava, foram críticos e sinceros ao tempo que foram flexíveis quando precisei que fossem. Nossa, quando penso em vocês amigos e família vejo o quanto sortudo eu sou. Vejo tudo que fizeram por mim e ainda fazem. Obrigado por me fazer uma pessoa de sorte, por "ser de vocês e ter vocês".


Não que hoje não existam novos amigos ao meu lado, definitivamente eu os tenho e eles são espetaculares. Mas quando olho ao redor eu sinto falta das pessoas. De certo modo eu já sabia que seria assim. Não que eu não sinta falta do país onde nasci, mas por que cresci me sentindo e me vendo cidadão do mundo (e isso inclui automaticamente o país onde nasci), o fato de não morar no Brasil não me afeta. Meus pais, que nunca saíram do Brasil, me deram isso. Meu pai com seus livros, revistas e filmes me mostrando sempre um mundo além do que eu vivia e minha mãe por sempre ter a mente aberta, me incentivar e me dar suporte (até onde é necessário) para viver os meus sonhos. Nasci com alma de desbravador e, para completar, casei com Camila e ela tinha isso também. Desejo de conhecer o mundo!


Um dia meu amigo Rodrigo me disse: sempre achei que você rodaria o mundo. Meu irmão Juca certa vez falou pra mim: você vai morrer num país distante. Nós rimos juntos. Eles estavam absolutamente certos. Hora ou outra eu me via morando em lugares diferentes, não por que esse ou aquele lugar fosse insuficiente para mim, não, não eram. Mas eram as experiências que veem com um novo lugar que me fascinavam. E fascinam. Hoje moramos em Dublin na Irlanda. Esse é um lugar incrível, cosmopolita como se diz. Gente de todos os lugares do mundo, mil diferentes idiomas todos os dias, todos os tipos de comidas e bebidas que o mundo oferece. Obviamente, como todo lugar, tem seus pontos negativos, mas vejo isso como oportunidade de ser ainda melhor. Enfim, esse lugar é incrível.


Mas voltando a minha afirmação, o que sinto falta é das pessoas. Seria fácil pensar, então por que não volta? Voltaremos um dia. Não há data, nem precisa haver. Se será em definitivo ou como visita, não é preciso definir. Mas sei que de uma forma ou de outra sempre veremos novamente as pessoas as quais sentimos falta.


Tenho essa certeza comigo baseado nas minhas crenças, mas, sobretudo, por que sei que vivi plenamente com essas pessoas. Dei tudo que havia para ser dado, recebi tudo que havia a ser recebido. Dar e receber, ser e se complementar. E no fim é saudade, aquela coisa boa que já falamos sobre.


As partidas e despedidas quase nunca são fáceis. Ficar e deixar ir muito menos, mas não há reencontros sem isso. Não há conquistar sem abrir mão. Não há superar a capacidade de amar sem amar a felicidade de alguém mesmo quando não é propriamente a sua.


Quando partimos nessa jornada vivemos tudo isso. E obviamente ainda há, pois sempre existem pessoas a se despedir e pessoas a se reencontrar.


Pouco a pouco vamos realizando o sonho de viver no mundo. Pouco a pouco vamos fazendo amigos em todas as partes do mundo. E não estou falando do glamour que algumas pessoas veem nisso, ou a aventura, não estou falando do mundo das capas de revistas, de ostentação ou nada disso. Estou falando de um mundo real, que há prazeres e dificuldades, coisas luxuosas e simples. De causas e consequências, de ofertas e preços. Estou falando de mundo mesmo, como ele é, ruim e bom.


Ainda bem que hoje as distâncias são cada vez menores, e as verdadeiras pessoas que amamos mais maduras. Portanto os reencontros mais frequentes.


Hoje o mundo é mais nosso, hoje somos mais do mundo. E vivemos felizes com isso.


 
 
 
Posts Recentes
Recent Posts
Arquivo.
bottom of page