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Texto: Despedida.

  • Camila Jasper
  • 17 de ago. de 2015
  • 3 min de leitura

Garden of Rembrance, Dublin - Irlanda. Fotografia: Lucas Jasper.

Não gostamos de despedidas. E acredito que ninguém gosta desse momento. Momento que é inevitável se você está partindo. Partindo por um período curto, partindo por um longo tempo ou partindo para sempre.


As "despedidas rápidas", vamos assim chamar, doem nos nossos corações. Faz-nos ter um turbilhão de sentimentos, saudades e um pequeno aperto no coração. Por mais que saibamos da sua rapidez, aquele até logo mexe com todos nós o suficiente para sentir tudo isso. Contudo, ao mesmo tempo, ficamos bem, ficamos calmos por que sabemos que isso passará rapidinho e quando menos esperarmos estaremos de novo com as pessoas que nos despedimos.


Difícil é quando essa despedida é por longo, mas um longo tempo. Tanto tempo que não sabemos quando. Por tempo indefinido. Ah, essa despedida doe. Mas doe muito. Doe tanto que não é possível segura às lágrimas que insistem em sair. Doe tanto que não conseguimos falar e aquele nó na garganta parece que nunca mais vai sair. Um flash passa nas nossas cabeças, e num simples segundo, somos capazes de ver todos os momentos da nossa vida. Nesse instante de segundo parece que nossa cabeça processa tantas imagens que não damos conta de acompanhar todo esse sentimento, toda essa emoção. Despedir-se doe uma dor que não tem nem nome. Simplesmente doe. Sabemos que com o tempo essa dor irá diminui. Vai diminuindo, diminuindo até que um dia ela fica ali, pequenina, bem pequenina, mas ali. Presente na nossa lembrança e no coração. Há dias que as imagens nos consomem a cabeça e há dias que simplesmente elas passam. Passam com alegria. Passam com emoção, e sempre com felicidade. Duro para quem fica, e mais duro ainda para quem vai. Despedir-se é um momento de nossas vidas que poderia ser mudado, ser diferente. Poderíamos ter o dom de nos “teletransportar” para evitar esse choro e esse nó na garganta.

Acredito, que pior ainda, é aquela despedida na qual sabemos que nunca mais iremos nos ver. Sim, acho que essa é a pior de todas. É um tanto louco pensarmos nisso, mas é a única certeza que temos nas nossas vidas e ainda assim nos é estranho. Estranho por que de fato não entendemos como tudo pode acabar e só nos resta agora nos despedir. Despedir para sempre. Os pensamentos tumultuam as nossas mentes, outras tantas coisas nos passa a cabeça, também numa rápida fração de segundo. E o mais incrível de tudo, é o sentimento de impotência e de dever não cumprido. Pensamos quantas coisas poderíamos ter feito. Quantas coisas poderíamos ter vivido e quantas coisas ainda teria para falar. Falar o quanto a pessoa foi e é importante, ou aquele eu te amo que está há anos preso na garganta, que por medo ou receio não falamos. Como doe essa despedida. Essa doe o suficiente para nos fazer sentir que nos falta uma parte de nós mesmos. Com o tempo, a saudade dessa despedida também vai sendo amenizada em nossos corações, porém nunca esquecida. As datas, as situações, e simplesmente as lembranças sempre estarão presentes em nós. Quando menos esperarmos eis que elas estão todas ali presentes mesmo sabendo que não fizemos nenhum esforço para que elas se façam presentes. E quando percebemos que essa dor está amenizada , ela é sentida diferente, sentida com paz.


Viver é tudo isso. É estar junto. É estar separado. É compartilhar momentos juntos e/ou à distância. E é, sobretudo, nos despedir. Despedir das pessoas, dos momentos e saber que vivemos intensamente. Vivemos o suficiente para que essa despedida não nos doa tanto. Que possamos pensar, e dizer tudo que há pra dizer, pois sabemos que estamos juntos hoje, mas não sabemos se amanhã precisaremos nos despedir. Despedir para um até breve. Despedir para um até mais. Ou despedir-se para sempre.

 
 
 
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