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Texto: Os Rótulos.

  • Mariana Silva
  • 7 de ago. de 2015
  • 2 min de leitura

Imagem: Internet.

A maratona que é o cotidiano, muitas vezes, nos leva a simplificar e apressar o nosso entendimento sobre tudo que temos acesso. Temos urgência em decifrar o que nos cerca e precocemente rotulamos o que precisamos tentar compreender. É inevitável, quando percebemos já estamos etiquetando alguém com um adjetivo. A estranha necessidade de rotular as pessoas, e tudo em volta de si, se dá por motivos variados, raramente notamos como é nocivo e cruel - para ambas as partes – pois sabemos tão pouco sobre tudo… Se coisifica e congela pelo que se parece ser, pela camada da superfície.


A imposição coletiva e histórica de rótulos às minorias, em um passado não muito distante, permanece e insiste em ditar padrões de normalidade, limitando capacidades e omitindo nuances. Arrastamos inconscientemente os velhos conceitos e nos tornamos viciados em classificar o inclassificável. A armadilha que é estereotipar o próximo caminha também pela barreira estabelecida na relação interpessoal. Formam-se ilhas e continentes, onde o conteúdo é muito mais vasto do que se pode imaginar.


Uma série de fatores - como a pressão social, a força midiática e a incapacidade de compreender o que não é semelhante a si - faz com que sejamos seduzidos pela tentação de comprimir a existência de algo ou alguém a poucas características, às primeiras impressões, ao imediato. A complexidade do ser humano e a construção de cada indivíduo se estabelecem pelo que vem muito antes, pelo passado de cada um, pelas experiências – boas ou ruins – é que o faz seguir em frente. Se faz importante também perceber quão mutável somos todos nós. Entre convicções e dúvidas vamos moldando nossa identidade ao longo da vida e nos tornando individualizados e plurais.


Sejamos mais acolhedores e menos reducionistas. Que a vida nos ensine a ter paciência e curiosidade de conhecer as pessoas mais a fundo e assimilá-las como uma usina de variáveis. Folheando cada lauda da personalidade, das manias, das virtudes e defeitos de cada um. E que a troca seja sempre bem-vinda, que ela abra portas para novas parcerias, desdobramentos. Aceitemos a nós mesmos e aos outros como somos, a preciosidade das nossas características são muito mais interessantes do que conceitos pré-estabelecidos. Vamos deixar os rótulos para as embalagens.


 
 
 
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