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Texto: Tic Tac.

  • Mariana Silva
  • 27 de jun. de 2015
  • 2 min de leitura

Imagem: A Persistência da Memória, de Salvador Dalí.

Tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac. E lá se foi o tempo... Minuto a minuto, a humanidade se consume na obsessão de ter o controle da velocidade em que ele vai embora. E ele faz questão de nos mostrar que não deve satisfação a ninguém, simplesmente vai embora e nos deixa a ver navios, a vê-lo passar, atrasados e com a sensação de perda, pois ele não mais voltará.


E como perdemos tempo... É inevitável, por mais que tracemos estratégicas militares de organização de nossos afazeres e metas de vida. O destino nos leva, muitas vezes, a apostar nossas fichas em escolhas incertas, seja o atalho que parecia ser mais rápido para o trabalho, ou aquele investimento bancário super promissor de nos enriquecer, até mesmo um namoro com o rapaz mais cobiçado da turma. Nada adiantou, perdemos o irrecuperável tempo. Mas ao perdê-lo, também ganhamos muitas outra coisas. Vivências, conhecimento de causa, lembranças, risos e choros. Ah, como ele é implacável... E como precisamos dele para compreender a complexidade de tudo que só se constrói com o tempo. O passado é cheio dele, no presente ele é volátil e voraz, no futuro ele parece ser mais lento... Parece que nunca vai chegar.


Ao observarmos nos veículos de comunicação uma linda mulher envelhecer, notamos como o tempo lhe fez muito bem. Cada sinal de expressão foi minunciosamente esculpido pelo tempo. Por outro lado, quando nos olhamos no espelho, constatamos como ele passou rápido, que ele fez questão de mostrar quem manda e – a pinceladas grosseiras e marcantes – nos envelheceu precocemente. “Corramos atrás do prejuízo! Vamos, meninas! Avante! Plásticas, cremes, exercícios! Não desanimemos, vamos retroceder o que o tempo construiu em nossos corpos!” E nada adiantará... A venda da fonte da juventude é ilusória e nunca parará o tempo, nem o amadurecimento do corpo e da alma.


E como nada é 100% negativo e cruel, o passar do tempo é admirável e intensifica sentimentos e memórias, fortalece laços que só existem porque o amontoar dos dias aproximou pessoas, criou amizades, solidificou relações e fez o amor – ou a saudade – ficar mais forte e valioso. Ficamos mais esperançosos em crer que ele apagará os momentos ruins, que ele será futuramente próspero e que, apesar dos perigos, um novo tempo sempre é bem vindo. Festejamos viradas de ano com fé, comemoramos bodas, buscamos aproveitar cada segundo como se fosse o último e cultivamos a ideia de que ele é precioso.


Os bebês de antes hoje já se formam na faculdade, nossos avós estão rumo à reta final da vida, os cabelos brancos insistem em aparecer e o metabolismo se vai com o tempo. Talvez mais rápido que o tempo, mas o que importa é: se estou aqui a escrever este texto - e digitar inúmeras vezes a palavra “tempo” - e você está aí do outro lado -lendo tudo e concordando com quase tudo – estamos vivos! E subindo cada degrau do tempo. Precisamos ter a lucidez de conviver pacificamente com ele e geri-lo a nosso favor.

 
 
 
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