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Texto: Viva São João!

  • Mariana Silva
  • 5 de jun. de 2015
  • 3 min de leitura

Foto: Mr. Val Macambira and Bezouro Avoador.

Não existe nada mais genuíno e impregnado de brasilidade, em especial na região Nordeste, do que as tradições juninas. Seja a pessoa nascida na capital ou em cidade do interior, no mês de maio o coração já começa a bater mais forte e os preparativos sagrados e profanos se alastram nas casas, em conversas, no comércio e na mídia e nas ruas. Viva São João Batista!


Ele, o santo. São João. A atenção é toda para ele, pois na mesma época também se fazem presentes São José, São Paulo, Santo Antônio e São Pedro, mas a estrela é o nosso João. Ele tem a capacidade de juntar povos de diversas religiões em seus festejos e costumes com um só desejo: dançar até o dia raiar. A Festa do Milho, como diziam os mais antigos, é sincrética e riquíssima. Acredito ser a que mais representa o povo brasileiro, sob o ponto de vista que existem mais cidades do interior do que metrópoles e capitais. Os seus elementos descrevem a vida rústica de um povo trabalhador, autêntico e que – mesmo com todas as adversidades – é muito feliz!


Eu, saudosista que sou, já me emociono em lembrar da minha infância lá na minha cidade. Na roça, presenciava os adultos preparando os quitutes cujos ingredientes vinham da nossa própria pequena plantação. Um encontro de simplicidade e riqueza de detalhes. Humildade do povo e fartura na mesa. Milho, amendoim, laranja e as variadas raízes, que se transformavam em bolos, caldos, sucos, pamonhas, mingaus, balas, muitos elogios às iguarias, suspiros demorados e a barriga bem cheia.


Pensar na folia junina é também relacioná-la à comemoração de boa colheita, afinal a festa tem como pano de fundo o universo rural, agropecuário, as roças, chácaras, fazendas e tudo mais que for telúrico e impregnado da essência sertaneja. Os lavradores, geralmente, plantam com fé em março e aguardam ansiosos o brotar do que - mais tarde – será deliciosamente degustado nas quermesses. A alegria estampada não é somente a de ter um bom lugar pra forrozear, mas sim o contentamento de ter algo a vender nas feiras semanais em cada localidade e garantir a refeição da família por um bom tempo. Posso dizer que é uma festa de agradecimento pela safra e integração do homem com a natureza.


O céu vira um espetáculo de cores e sons, nas nossas mãos as bombinhas, cobrinhas e demais fogos de artifício. O sotaque matuto, o rico forró do Gonzagão, a bebida bem quentinha e forte, o povo que veste a melhor roupa para impressionar, as bandeirolas lindas decorando o que, por si só, já é colorido e alegre! Esse é o espírito junino nos lares e nas festas de rua. O clima esfria e nos convida a nos reunirmos em volta da fogueira. No salão e nas grandes festas os grupos de quadrilha levam o público à loucura com a dança, os figurinos e a invejável energia.


E eis que chega o mês de Julho, a saudade do que se viveu aperta. O que nos resta é aguardar o ano que virá, para repetir tudo e transbordar novamente a alegria e necessidade de festejar a vida e a capacidade que ela tem de guardar certos momentos a determinados dias do ano. De atribuir às tradições populares uma afirmação de identidade, fé e cultura. Quem não gosta de São João, bom sujeito não deve ser.



 
 
 
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