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Texto: O prazer de comer.

  • Mariana Silva
  • 22 de mai. de 2015
  • 2 min de leitura

Fotografia: Lucas Jasper.

Você está triste, impaciente. Começa a ter dor de cabeça, suar frio, sentir o tremor das mãos. O som do tique-taque do relógio de parede do escritório começa a ficar cada vez mais alto e irritante. Sua vista começa a escurecer e o mundo a girar... A impaciência e mau humor se apoderam de você e nada que alguém te fale vai te acalmar... Seu corpo tenta falar contigo, todos ao redor começam a ouvi-lo também. Não, você não está doente. Você está com fome mesmo.


Eu amo comer. Amo mesmo. Para mim, é um dos atos que mais me completa. Poucas coisas na vida me ganham mais do que deliciar um belo prato, seja ele simples ou elaborado. Aproveitando cada garfada, saciando minha fome e acalmando meu cérebro de gorda eu vou em frente e me sinto uma crítica de arte, uma especialista em sabores e prazeres. Quando eu e meus amigos pensamos em realizar um evento ou encontro da turma, não pensamos no que vestir, mas sim no que serviremos na ocasião ou em qual restaurante ou boteco nos encontraremos. Daí, a comida acaba se tornando pano de fundo coadjuvante de muitas risadas e – às vezes - choros, de confidências, trocas de impressões sobre o mundo e as pessoas, de contação de piadas e histórias cheias de vida.


Comer une todos os sentidos, libera enzimas e faz uma bagunça química em nosso cérebro, reafirma identidades, dá segurança e prazer, cria laços - unindo pessoas -, ajuda a passar o tempo e o melhor: nos leva a um infinito arsenal de lembranças da infância, da comida rebatedora da mãe e da avó, do lanche na hora do recreio no primário, dos almoços dominicais em família e daquele jantar romântico em que você estava com a pessoa especial.


Aí você pensa: “Ela está escrevendo este texto com uma panela de brigadeiro do lado.”. Engano seu... Estou de dieta há meses. O meu prazer de comer está, quase sempre, alinhado com uma fiscalização incessante e com a tentativa de manter uma dieta balanceada, pelo menos de segunda a sexta. O terror das dietas me persegue há anos, mas eu persisto e aconselho: comam! Comam bem e sem medo, comam o que tiverem vontade, comam por mim e me contem o quanto foi prazeroso!

 
 
 
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