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Texto: Reflexões sobre a maternidade.

  • Mariana Silva
  • 15 de mai. de 2015
  • 3 min de leitura

"Mãe e a criança", escutura de Wilhelm Lehmbruck.

Parte das coisas que passamos quando engravidamos e parimos não são claramente reveladas pela nossa família e amigos. É na vivência, nas tomadas de susto e colocando a mão na massa que aprendemos que ser mãe é errar querendo acertar, não tem jeito nem fórmula ideal para a resolução dos dilemas da maternidade. A visão que tinha sobre o assunto beirava os roteiros de novela, tudo muito descomplicado, orgânico e com muita gente ao meu redor pra ajudar. O impacto de ter uma filha me fez aprender, em pouco tempo, que a vida teria que se reformular, pois muito se brotou com a chegada dela.


Quem nunca teve filhos, ou não participou da criação de uma criança, pode ver esta fase da vida de forma simplificada e achar que os pais são exagerados, dramáticos e super protetores. Eu pensava assim. Só passando noites em claro, chorando e rindo bastante, sentindo muito medo e cansaço pude ver minha mãe com outros olhos. E ao vê-la como semelhante – mais do que nunca – pude antever o meu futuro como mãe. A maternidade muda o ser humano e suas relações interpessoais de tal forma que, muitas vezes, a mãe (e/ou o pai) se vê distanciada de si mesma, cada vez mais longe do seu antigo cotidiano, do seu ciclo de amizade inabalável até então – muitos amigos só dirão “oi” nas redes sociais -, da sua visão de mundo e de suas prioridades.


Existe vida própria após o parto? Minutos de silêncio para a reflexão... Fiquem à vontade, posso esperar pela resposta... ... ... ...

Existe, mas só vai aparecer quando pararmos de idealizar nossa postura como progenitor perfeito e encararmos a vida como um monte de fios emaranhados, esperando que nós coloquemos tudo em ordem, diariamente.


Durante o primeiro ano da minha cria, a intensidade dos acontecimentos me fazia ter a falsa impressão de que tudo só acontecia comigo, quando pude ampliar o horizonte notei que existe a Sociedade Quase Secreta das Mães. Sim, ela existe. Basta tecer algum comentário em voz alta em algum local público que elas aparecem: as mamães prestativas e cheias de experiências e dicas que acalmam, mostram um caminho para a solução. Quando percebemos, estamos criando novos laços, amizades por afinidade, rindo de nós mesmas, detectando semelhanças e diferenças e, principalmente, reconhecendo que todos os momentos passados tem a sua beleza e importância.


Ser mãe é, antes de tudo, saber exercitar o equilíbrio: Tentar ser uma pessoa boa, uma mãe atenciosa, uma esposa companheira e atraente, uma profissional eficiente, uma filha obediente (acreditem em mim, as vovós vão querer ser instintivamente decisoras e guiar a educação dos netos), uma patroa justa, enfim, as cobranças da sociedade virão muito antes de estarmos preparadas para atendê-las com primor.


O mais interessante é que esqueceremos ou atenuaremos boa parte dos momentos ruins com o passar do tempo, e como isso muitas vezes me conforta mesmo eu não tendo vivido muitas situações de risco ou enfermidade. Pois ser mãe é amadurecer e constatar que o impacto da maternidade em nossas vidas nos faz melhores e com poder de passar por cima de qualquer adversidade. Tudo acaba valendo a pena por nós, pelos nossos filhos e maridos e pelo que ainda está por vir no inevitável ciclo da vida. Ser mãe é amar a cada momento.

 
 
 
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